*Por Antônio Zacarias - Como ocorre no romance O Perfume: História de um Assassino, o personagem principal não possui cheiro próprio. Essa ausência de uma característica essencialmente humana o transforma em um pária, um ser rejeitado pela sociedade.
A falta de identidade olfativa o afasta das emoções e aprofunda um vazio psicológico que o conduz ao ódio pela humanidade.
Faço essa referência a um clássico da literatura para abordar aquilo que considero uma preocupante ausência de sensibilidade humana no governador-tampão Roberto Cidade, o “Cocô de Ouro”.
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Um indivíduo acusado de agredir a própria esposa e de rejeitar o próprio filho por ser portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta comportamentos que remetem à profunda incapacidade de empatia retratada em personagens sombrios da ficção.
Não se trata apenas de hostilidade contra aqueles que deveriam receber amor, proteção e cuidado. Trata-se de uma postura que revela desprezo por valores fundamentais da convivência humana. Tudo aquilo que exige solidariedade, compaixão e respeito parece encontrar resistência na trajetória pública do “Cocô de Ouro”.
Roberto Cidade deseja permanecer no comando do governo (ele será candidato a reeleição) mas seu histórico levanta questionamentos sobre quais interesses efetivamente pretende servir. Sua passagem pela presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas já foi alvo de críticas e controvérsias que alimentam dúvidas sobre sua capacidade de liderar em benefício da população.
Sua atuação política é frequentemente associada à ineficiência administrativa e a decisões que pouco contribuíram para melhorar a vida dos amazonenses. A impressão transmitida é a de alguém que busca o poder não como instrumento de transformação social, mas como mecanismo de autopromoção e crescente enriquecimento pessoal.
Um homem público que se deixa filmar consumindo carne envolta em folha de ouro de 24 quilates, em um estado marcado por graves índices de pobreza, desemprego e exclusão social, demonstra uma desconexão preocupante com a realidade da população. O gesto foi interpretado por muitos como um símbolo de ostentação e insensibilidade diante das dificuldades enfrentadas pelo povo.
O Amazonas convive com desafios históricos na saúde, na educação, na infraestrutura e na geração de oportunidades. Nesse contexto, a exibição de luxo extremo soa como deboche para milhares de famílias que lutam diariamente para garantir o básico.
A agressão contra mulheres, em um país que registra números alarmantes de feminicídio e violência doméstica, representa uma afronta à dignidade humana.
Qualquer comportamento que normalize ou banalize esse tipo de violência merece repúdio firme da sociedade.
Da mesma forma, rejeitar uma criança autista constitui uma das expressões mais cruéis de preconceito e abandono. Crianças com TEA necessitam de acolhimento, amor, compreensão e apoio familiar. Negar-lhes esses direitos fundamentais significa falhar em um dos deveres mais elementares da condição humana.
Por essas e outras razões, muitos questionam a permanência desse indivíduo na vida pública. Para seus críticos, faltam-lhe atributos indispensáveis a quem pretende governar: sensibilidade, empatia, respeito ao próximo e compromisso genuíno com a população. Afinal, exercer um cargo público exige mais do que poder; exige humanidade. E isso, definitivamente, o “Cocô de Ouro” não tem.
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* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.