O presidente Vladimir Putin afirmou que o país pode enfrentar uma, verdadeira extinção, caso a tendência de queda nos nascimentos continue
O Ministério da Saúde da Rússia passou a orientar que mulheres que não desejam ter filhos sejam encaminhadas à psicoterapia, em meio à queda da taxa de fecundidade, que atualmente é de 1,4 filho por mulher, abaixo do nível de reposição populacional. A medida, aprovada em fevereiro, visa “promover uma atitude positiva em relação à maternidade”, mas recebeu críticas de mulheres entrevistadas pela AFP, que a consideram coercitiva e ineficaz.
Especialistas e mulheres relataram que fatores econômicos, sociais e estruturais influenciam a decisão de não ter filhos, e que a iniciativa estatal não aborda essas questões. Anastasia, de 29 anos, citou o alto custo de vida e a dificuldade de garantir moradia e estabilidade financeira, enquanto Maria, especialista em TI, disse que a política tenta controlar escolhas individuais e desconsidera a necessidade de garantias sociais e segurança.
Além do encaminhamento psicológico, as autoridades russas endureceram regras sobre aborto e proibiram a chamada “propaganda anti-filhos”, que restringe debates públicos sobre a escolha de não ter filhos. A legislação prevê multas de até 400 mil rublos (cerca de R$ 26 mil) para quem descumprir a norma, reforçando a pressão do Estado sobre decisões reprodutivas.
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O debate ocorre em meio a preocupações demográficas maiores. O presidente Vladimir Putin alertou que o país pode enfrentar uma “verdadeira extinção” caso a queda nos nascimentos continue. A situação também é agravada pela guerra na Ucrânia, que resultou no envio de centenas de milhares de homens para o conflito, e pela elevada taxa de divórcios, que deixa muitas mulheres sozinhas na criação dos filhos.

Dados citados por pesquisas indicam que o país apresenta
uma das maiores taxas de divórcio do mundo, o que, segundo
entrevistadas, influencia decisões sobre maternidade
(Foto: Reprodução)
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Mulheres ouvidas pela AFP classificaram a política como injusta e prejudicial à saúde psicológica, argumentando que a maternidade não deve ser imposta. Algumas mães, como Irina, questionaram o direito do Estado de obrigar alguém a gerar filhos indesejados, enquanto entre os homens a percepção foi distinta, considerando a recomendação como apenas uma orientação, mas que reforça uma expectativa social sobre a maternidade.