Com quase 50 mil pessoas à espera de um órgão, Setembro Verde reforça a importância do diálogo familiar para aumentar as doações e salvar vidas.
O Brasil registrou um número recorde de transplantes de órgãos e tecidos em 2025, mas a recusa familiar continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar esse resultado. Cerca de 45% das famílias brasileiras não autorizam a doação de órgãos de parentes falecidos. O cenário reforça a importância do Setembro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a doação e os transplantes.
Embora o transplante seja uma alternativa capaz de salvar vidas, a retirada de órgãos de uma pessoa falecida só pode ocorrer no Brasil mediante autorização dos familiares, mesmo que o indivíduo tenha manifestado em vida o desejo de ser doador em algum documento.
Por isso, especialistas defendem que o assunto seja discutido dentro das famílias. Para a hepatologista Patrícia Almeida, da Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), conversar previamente sobre a intenção de doar pode aumentar as chances de que a vontade do potencial doador seja respeitada.
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COMO FUNCIONA A FILA DE TRANSPLANTES
Dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) apontam que 49.489 pessoas aguardam atualmente por um órgão no país. A maior demanda é por transplante de rim, seguida por fígado, coração, pâncreas e rim, pulmão, pâncreas e transplante multivisceral.
Apesar de ser conhecida como “fila do transplante”, a distribuição dos órgãos não segue simplesmente a ordem de chegada dos pacientes. A seleção é feita de acordo com as normas estabelecidas pelo Sistema Nacional de Transplantes e leva em consideração critérios específicos para cada tipo de órgão.
O paciente precisa ser inscrito por uma equipe médica autorizada. Quando um órgão se torna disponível, são analisados fatores como compatibilidade, gravidade do quadro clínico, urgência e tempo de espera, conforme os critérios estabelecidos para cada transplante.
Dessa forma, a posição de um paciente pode mudar de acordo com sua condição de saúde e com as características do órgão disponível. Os pacientes também têm acesso a canais oficiais para acompanhar sua situação na lista.
No caso do transplante de fígado, por exemplo, a gravidade da doença é um dos principais fatores utilizados para definir a prioridade. Segundo Patrícia Almeida, a ordem dos pacientes na lista de transplante hepático é determinada pelo grau de gravidade de cada caso.
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Essa avaliação é feita a partir de exames e critérios técnicos, incluindo regras específicas para situações consideradas especiais. Todo o processo é regulamentado pelo Sistema Nacional de Transplantes.