Duas jovens alegam que o uso compulsivo do aplicativo contribuiu para problemas como depressão, ansiedade e transtornos alimentares; os termos do acordo não foram divulgados.
A Snap, empresa responsável pelo Snapchat, chegou a um acordo em uma ação judicial movida por duas adolescentes que atribuem ao uso excessivo da plataforma parte de seus problemas de saúde mental. As jovens afirmam que recursos como a rolagem contínua de conteúdos e a frequência de publicações incentivaram um comportamento compulsivo.
O entendimento foi firmado durante a etapa de seleção dos jurados, em Los Angeles, e impediu que a empresa enfrentasse mais um julgamento de grande repercussão nos Estados Unidos. Os valores e as demais condições do acordo não foram divulgados.
As autoras já haviam firmado acordos confidenciais com a Meta Platforms, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, além do TikTok e do YouTube, plataforma controlada pelo Google.
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Em comunicado, os advogados de uma das adolescentes afirmaram que o objetivo é responsabilizar as empresas pelos impactos de suas plataformas sobre crianças e jovens. A Snap, por sua vez, declarou que as partes ficaram satisfeitas com a resolução amigável do caso.
Os processos reunidos para julgamento representam mais uma etapa de uma série de ações movidas por jovens usuários e familiares. As acusações apontam que as plataformas teriam sido desenvolvidas para estimular o uso prolongado, colocando em risco a saúde mental e a segurança de menores de idade.
As empresas negam as irregularidades e afirmam que oferecem ferramentas de proteção e recursos para auxiliar pais e responsáveis. A Snap também destacou que desenvolveu mecanismos de segurança, disponibilizou orientações aos usuários e consultou especialistas sobre o tema.
Em declaração, um representante da companhia afirmou que a empresa pretende continuar aprimorando a segurança, a privacidade e o bem-estar de sua comunidade digital.
SNAP PODE ENFRENTAR PREJUÍZOS BILIONÁRIOS
A pressão judicial sobre as empresas de tecnologia vem aumentando nos últimos anos. Embora tenha um porte menor que concorrentes como Meta e Google, a Snap pode enfrentar impactos financeiros relevantes caso seja responsabilizada em processos relacionados aos possíveis danos das redes sociais.
Estimativa da Bloomberg Intelligence aponta que a exposição da companhia a ações desse tipo pode alcançar US$ 3 bilhões até 2029. Segundo o analista Matthew Schettenhelm, a menor capacidade financeira da empresa pode dificultar a absorção de eventuais acordos e indenizações.
As adolescentes envolvidas no processo são identificadas nos documentos judiciais pelas iniciais S.J., de 16 anos, residente em Illinois, e K.D.B., de 18 anos, do Mississippi. Ambas afirmam que o uso intenso do Snapchat e de outras redes sociais contribuiu para o desenvolvimento de depressão, ansiedade e transtornos alimentares.
O advogado responsável pela representação das jovens, Mark Lanier, defendeu mudanças estruturais no funcionamento das plataformas. Segundo ele, as famílias buscam medidas permanentes que tornem os ambientes digitais mais seguros para crianças e adolescentes.
PROCESSOS PODEM INFLUENCIAR OUTRAS AÇÕES
Os casos das duas adolescentes foram escolhidos como processos-piloto, conhecidos como bellwether cases. Esse tipo de julgamento permite que as partes avaliem os argumentos e as provas apresentados, podendo influenciar futuras negociações e acordos em ações semelhantes.
O primeiro processo desse grupo foi julgado no início de 2026, envolvendo a Meta e a Alphabet, controladora do Google. Na ocasião, uma jovem de 20 anos recebeu indenização de US$ 6 milhões, após o júri considerar que as empresas foram negligentes no desenvolvimento e na operação de suas plataformas e deveriam ter alertado sobre possíveis riscos aos usuários jovens.
Antes daquele julgamento, a Snap e o TikTok também haviam firmado acordos confidenciais com a autora do processo.
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A resolução do caso envolvendo as duas adolescentes, portanto, não encerra a discussão judicial sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental de menores de idade. Outras ações semelhantes continuam no centro de uma disputa que pode influenciar a forma como as plataformas digitais são desenvolvidas e regulamentadas.