A presença de tilápias-do-nilo na Lagoa do Independente 2, em Altamira, no Pará, tem preocupado pesquisadores devido ao risco de a espécie invasora se espalhar pelo Rio Xingu e ameaçar os peixes nativos da região. Apesar da confirmação da presença dos animais em março deste ano, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os órgãos responsáveis ainda não definiram quem ficará encarregado de retirar os peixes do local.
A lagoa faz parte da rotina dos moradores, onde crianças brincam, famílias passeiam com seus animais de estimação e pescadores lançam suas iscas em busca de peixes. O problema é que, em vez de espécies nativas da Amazônia, como acarás e piaus, as tilápias-do-nilo estão aparecendo com frequência nas capturas.
Originária da África, a tilápia foi introduzida no Brasil para fins comerciais e acabou se estabelecendo em ambientes naturais. Segundo pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), a situação em Altamira exige atenção porque a lagoa fica próxima ao Rio Xingu.
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Durante o período chuvoso, o nível da água sobe e a lagoa pode transbordar, permitindo que os peixes escapem para o rio. Caso isso aconteça, a espécie invasora poderá competir diretamente com os peixes amazônicos por alimento e espaço.
As tilápias apresentam crescimento rápido, alimentam-se de pequenos invertebrados e algas e conseguem se reproduzir durante todo o ano. Essas características favorecem sua expansão e podem provocar desequilíbrios nos ecossistemas onde são introduzidas.
Um exemplo preocupante é registrado no Amapá, onde a espécie ocupou espaço de peixes nativos no Igarapé Fortaleza. A partir da década de 1970, as tilápias passaram a representar 72,7% dos peixes da mesma família presentes no local, segundo os dados citados no levantamento.
Em Altamira, a preocupação aumenta por causa das mudanças ambientais provocadas pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Alguns trechos do rio e igarapés da região passaram a apresentar águas mais paradas, condições que podem favorecer a adaptação e a proliferação das tilápias.
Pesquisadores destacam que a preservação dos peixes nativos é importante para reduzir os impactos da espécie invasora. A reprodução natural de acarás, tucunarés e outros peixes amazônicos pode contribuir para manter o equilíbrio ecológico, embora não elimine, por si só, o risco de expansão das tilápias.
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Enquanto não há definição sobre a retirada dos animais da lagoa, permanece a preocupação com a possibilidade de dispersão da espécie para o Rio Xingu, um dos ambientes aquáticos mais importantes da Amazônia.