Ensaio clínico de fase 2 testou imunizante em 144 pessoas, mas ainda não demonstrou que a estratégia reduz o risco de retorno da doença
Uma vacina experimental contra o câncer de pâncreas apresentou resultados promissores em um estudo clínico de fase 2, ao estimular uma resposta imunológica em 98,9% dos pacientes avaliados. A pesquisa, liderada por cientistas da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, investigou uma estratégia para ensinar o organismo a reconhecer mutações genéticas associadas ao desenvolvimento da doença.
O estudo envolveu 144 pacientes com câncer de pâncreas que apresentavam mutações no gene KRAS. Todos haviam passado por cirurgia e quimioterapia e não apresentavam sinais visíveis de tumor nos exames de imagem no início da pesquisa. Desse total, 96 receberam a vacina experimental, enquanto outros 48 foram acompanhados como grupo de controle.
O imunizante, chamado camupepimut, foi desenvolvido para estimular o sistema imunológico a identificar sete mutações comuns do gene KRAS, encontradas em aproximadamente 90% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático, o tipo mais frequente da doença. Entre os 90 pacientes que receberam a vacina e puderam ser avaliados, 89 apresentaram aumento na resposta das células de defesa conhecidas como linfócitos T.
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Apesar do resultado expressivo, os pesquisadores destacam que a vacina ainda não teve sua eficácia clínica comprovada. O estudo não identificou diferença estatisticamente significativa no tempo livre da doença entre os grupos que receberam o imunizante e aqueles que ficaram apenas em observação. Os cientistas também observaram que pacientes com respostas imunológicas mais intensas apresentaram sinais de maior tempo sem a doença, mas essa relação ainda precisa ser confirmada.
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Os resultados foram publicados na revista científica Nature Medicine e devem servir de base para uma nova pesquisa de fase 3, com um número maior de participantes. A próxima etapa deverá investigar se a ativação do sistema imunológico consegue reduzir efetivamente o risco de retorno do câncer. Por enquanto, a vacina permanece experimental e não está disponível como tratamento aprovado para a população.